terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sobre o aborto - excelente texto!

JULIÁN MARÍAS, filósofo falecido em 2005 e discípulo de Ortega y Gasset, um dos grandes filósofos do séc. XX.

A espinhosa questão do aborto voluntário que nos últimos anos adquiriu uma amplitude descomunal, até converter-se em uma das questões mais urgentes nas sociedades ocidentais, pode ser proposta de diversas maneiras. Entre os que consideram a inconveniência ou ilicitude do aborto, a posição mais freqüente é a religiosa. Sem dúvida que, para os cristãos (às vezes, de maneira mais estreita, para os católicos), o aborto pode ser ilícito mas não se pode impor a uma sociedade inteira uma moral “particular”. Quer dizer, os argumentos fundados na fé religiosa não são válidos para os não crentes.
Raramente se investiga se os argumentos assim propostos, ainda que procedendo de uma maneira cristã de ver a realidade, não têm força de convicção inclusive prescindindo dessa origem; o fato é que todos os que não participam dessa crença os repudiam e consideram que não lhes podem levar em conta. E os fatos devem ser considerados.
Há outra posição que pretende ter validade universal, que é a científica. As razões biológicas, concretamente genéticas, são tidas como demonstráveis, inteiramente fidedignas, conclusivas para todos. Certamente essas razões têm valor muito alto, e devem ser levadas em conta, mas suas provas não são acessíveis à imensa maioria dos homens e mulheres, que as admitem por fé (isto é, por fé na ciência, pela validade que ela tem no mundo atual).
Há outro fator que me parece mais grave a respeito da posição científica da questão: depende do estado atual da ciência biológica, dos resultados da mais recente e avançada investigação. Quero dizer que o que hoje se sabe, não se sabia antes. Os argumentos dos biólogos e geneticistas, válidos para o que conhece estas disciplinas e para os que participam da confiança nelas, não foram válidos para os homens e mulheres de outros tempos, inclusive muito recentemente.
Creio que faz falta uma posição elementar, ligada à mera condição humana, acessível a todos, independente de conhecimentos científicos ou teológicos que poucos possuem. É forçoso propor uma questão tão importante, de conseqüências práticas decisivas, que afeta a milhões de pessoas e à possibilidade de vida de milhões de crianças que nascerão ou deixarão de nascer, de uma maneira evidente, imediata, fundada no que todos vivem e entendem sem interposição de teorias (que às vezes impedem a visão direta e provocam desorientação).
Esta visão não pode ser outra senão a antropológica, fundada na mera realidade do homem tal como se vê, se vive, se compreende a si mesmo. Temos, pois, de tentar retroceder ao mais elementar, que não tem pressupostos de nenhuma ciência ou doutrina, que apela unicamente à evidência e não pede mais que uma coisa: abrir os olhos e não colocar-se de costas para a realidade.
Trata-se da distinção decisiva entre coisa e pessoa. Bem, dito assim pode parecer coisa de doutrina. Por verdadeira e justificável que seja, evitemo-la. Limetemo-nos a algo que faz parte de nossa vida mais elementar e espontânea: o uso da língua.
Todo mundo, em todas as línguas que conheço, distingue, sem a menor possibilidade de confusão, entre que e quem, algo e alguém, nada e ninguém. Se entro em uma casa onde não há nenhuma pessoa, direi: “não há ninguém”, mas não me ocorrerá dizer: “não há nada”, porque pode estar cheia de móveis, livros, lustres, quadros. Se se ouve um grande ruído estranho, me alarmarei e perguntarei: “O que é isso?”. Mas se ouço batidas na porta, nunca perguntarei “o que é?” mas sim “quem é?”. Apesar disso, a ciência e mesmo a filosofia estão há dois milênios e meio fazendo a pergunta: “Que é o homem?”, com a qual pelo menos derrubaram a estrutura de uma resposta errada, porque só de maneira muito secundária é o homem um “que”; a pergunta certa e pertinente seria: “Quem é o homem?”, ou, com mais rigor e adequação: “Quem sou eu?”.
Claro, “eu” ou “tu”, ou “ele” sempre que se entenda de maneira inequivocamente pessoal. É significativo que os pronomes de primeira e segunda pessoa (eu, tu) têm somente uma forma, sem distinção de gênero, enquanto que o da terceira pessoa admite essa distinção, e inclusive com dois gêneros (ele, ela). Quem fala e a quem se fala são realidades imediatas e pessoas, e seu gênero é evidente na ação mesma, mas não é assim quando se fala de alguém no presente (e, ademais, se pode falar de algo).
O que isso tem a ver com o aborto? O que me interessa aqui é ver o que é, em que consiste, qual é a sua realidade. O nascimento de uma criança é uma radical inovação de realidade: a aparição de uma realidade nova. Dirão talvez que não é propriamente nova, uma vez que se deriva ou vem de seus pais. Direi que é verdade e muito mais: dos pais, dos avós, de todos os antepassados; e também do oxigênio, nitrogênio, hidrogênio, carbono, cálcio, fósforo e todos os demais elementos que intervêm na composição de seu organismo. O corpo, o psíquico, até o caráter vem daí e não é algo rigorosamente novo.
Diremos que o que a criança é se deriva de tudo isso que enumeramos, é reduzível a isso. É uma “coisa”, certamente animada e não inerte, diferente de todas as demais, em muitos sentidos única, mas uma coisa. Desse ponto de vista, sua destruição é irreparável, como quando se quebra uma peça que é exemplar único. Todavia, isso não é o importante.
O que é a criança pode “reduzir-se” a seus pais e ao mundo; mas a criança não é o que é. É alguém. Não um que, mas um quem, alguém a quem se diz tu, que dirá no momento certo, dentro de algum tempo, eu. E este quem é irreduzível a tudo e a todos, aos elementos químicos e a seus pais, e a Deus mesmo, se pensarmos nele. Ao dizer “eu”, enfrenta-se com todo o universo, contrapõe-se polarmente a tudo o que não é ele, a tudo o mais (incluindo, claro, o que é).
É um terceiro absolutamente novo, que se soma ao pai e à mãe. E é tão distinto do que é, que dois gêmeos univitelinos, biologicamente indiscerníveis e que podemos supor “idênticos”, são absolutamente distintos entre si e a cada um dos demais; são, sem a menor sombra de dúvida, “eu” e “tu”.
Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe, se diz uma grande falsidade, porque não é parte: está alojado nela, melhor ainda, implantado nela (nela e não meramente em seu corpo). Uma mulher dirá: “estou grávida”, nunca “meu corpo está grávido”. É um assunto pessoal por parte da mãe.
Ademais, e sobretudo, a questão não se reduz ao que, senão a esse quem, a esse terceiro que vem e que fará com que sejam três os que antes eram dois. Para que isto seja mais claro ainda, pensemos na morte. Quando alguém morre, nos deixa sós; éramos dois e agora não há mais que um. Inversamente, quando alguém nasce, há três em vez de dois (ou, se for o caso, dois em vez de um).
Isto é o que se vive de maneira imediata, o que se impõe à evidência sem teorias, o que refletem os usos da linguagem. Uma mulher diz: “vou ter um filho”; não diz: “tenho um tumor”. (Quando uma mulher acredita estar grávida e verifica que o que tem é um tumor, sua surpresa é tal que mostra até que ponto se trata de realidades radicalmente diferentes).
A criança não nascida ainda é uma realidade vindoura, que chegará se não a pararmos, se não a matarmos no caminho. Mas se investigarmos bem as coisas, isso não é exclusivo da criança antes do nascimento: o homem é sempre uma realidade vindoura, que vai se fazendo e realizando, alguém sempre inconcluso, um projeto inacabado, um argumento que tende a uma solução.
E se dissermos que o feto não é um “quem” porque não tem uma vida “pessoal”, então teríamos que dizer o mesmo da criança já nascida durante muitos meses (e do homem durante o sono profundo, da anestesia, da arteriosclerose avançada, da extrema senilidade, sem dizer do estado de coma).
Às vezes lançam mão de uma expressão de refinada hipocrisia para denomiar o aborto provocado; dizem que é a “interrupção da gravidez”. Os partidários da pena de morte teriam suas dificuldades resolvidas: para que falar de tal pena, de tal morte? A forca ou o garrote podem chamar-se “interrupção da respiração” (e basta um par de minutos); já não há mais problema. Quando provoca-se o aborto ou enforca-se alguém, não se interrompe a gravidez ou a respiração; em ambos os casos mata-se alguém.
E, claro, é uma hipocrisia ainda maior considerar que há diferença em que lugar do caminho se encontra a criança, a que distância em semanas ou meses dessa etapa da vida que se chama nascimento será surpreendida pela morte.
Consideremos outro aspecto da questão. Com freqüência se afirma a licitude do aborto quando se julga que provavelmente aquele que vai nascer (ou que iria nascer) seria anormal, física ou psiquicamente. Mas isso implica que o que é anormal não deve viver, já que essa condição não é provável, senão segura. E teríamos de estender a mesma norma ao que chega a ser anormal por acidente, enfermidade ou velhice. Se temos tal convicção, então temos de sustentá-la com todas as suas conseqüências. Esta situação não é nova; já foi aplicada, e com grande amplitude, na Alemanha hitlerista, há meio século, com o nome de eugenia prática.
O que me interessa é entender o que é aborto. Com incrível freqüência mascara-se sua realidade com seus fins. Quero dizer que tentam identificar o aborto com certos propósitos que pareçam valiosos, convenientes ou pelo menos aceitáveis: por exemplo, o controle populacional, o bem-estar dos pais, a situação da mãe solteira, as dificuldades econômicas, a conveniência de dispor de tempo livre, a melhoria da raça. Poder-se-ia investigar em cada caso a veracidade ou a justificação desses mesmos fins (por exemplo, foi feita uma campanha abortista em uma região da América do Sul de 144.000 quilômetros quadrados de extensão e 25.000 habitantes, isto é, despovoada). Mas o que quero mostrar é que esses fins não são o aborto.
O correto seria dizer: para isso (para conseguir isso ou aquilo) deve-se matar tais pessoas. Isto é o que se propõe, o que em tantos casos se faz em muitos países na época em que vivemos. Esta é a significação antropológica dessa palavra tão usada e abusada, que se escreve mais vezes em um só dia do que em qualquer outra época em um ano.
E mais uma prova de como se pensa o tema do aborto, eliminando arbitrariamente a condição pessoal do homem, o caráter de quem se fala, é que em muitas legislações sobre o assunto – sem irmos mais longe, a que se propõe atualmente na Espanha – se prescinde inteiramente do pai. Atribui-se a decisão exclusivamente à mãe (a palavra não parece inteiramente apropriada, seria mais adequado falar da fêmea grávida), sem que o pai tenha nada a dizer. Isto é, mesmo no caso em que o pai seja perfeitamente conhecido e legítimo, por exemplo, se se trata de uma mulher casada, é ela e somente ela é quem decide, e se sua decisão é abortar, o pai não pode fazer nada para que não matem a seu filho.
Isto, claro, não se diz assim; tende-se a não dizê-lo, a passar por alto, para que não se advirta o que significa. Em uma época em que se fala tanto da “mulher objeto” – não sei se alguma vez chegou a ser assim; suspeito que sempre a viram como “sujeito” (ou “sujeita”) –, um caminho foi aberto na mente de inúmeras pessoas a interpretação da criança-objeto, da criança-tumor, que se pode extirpar como um crescimento nojento. Trata-se de obliterar literalmente o caráter pessoal do humano. Para isso fala-se do “direito de dispor do próprio corpo”. Mas, além da criança não ser o corpo do mãe, senão que é alguém corporalmente implantado na realidade corporal de sua mãe, é que esse suposto direito não existe. A ninguém se permite a mutilação: se eu quero cortar minha mão num golpe só, os outros, e em última instância o poder público, me impedirão; sem falar no caso de querer cortar a mão de outrem, mesmo com seu consentimento. E se quero me atirar da janela ou de um terraço, a polícia e os bombeiros acudir-me-ão e pela força me impedem de realizar esse ato, do qual me pedirão explicações.
O núcleo da questão é a negação do caráter pessoal do homem. Por isso oculta-se a paternidade; por isso reduz-se a maternidade ao estado de suportar um crescimento intruso que pode ser eliminado. Descarta-se todo uso possível do quem, dos pronomes tu e eu. Tão logo apareçam, toda o castelo erguido para justificar o aborto rui como uma monstruosidade.
Por acaso não se trata precisamente disso? Não estará em curso um processo de despersonalização, isto é, de desumanização do homem e da mulher, as duas formas irredutíveis, mutuamente necessárias em que se realiza a vida humana?
Se as relações de maternidade e paternidade forem abolidas, se a relação entre os pais for reduzida a uma mera função biológica sem duração para além do ato de geração, sem nenhuma significação pessoal entre as três pessoas implicadas, que ocorre de humano em tudo isso? E se isso se impõe e se generaliza, se em fins do século XX a humanidade vive de acordo com esses princípios, não estará comprometida, quem sabe até quando, essa mesma condição humana?
Por isso me parece que a aceitação social do aborto é, sem exceção, o que de mais grave tem acontecido neste século que vai chegando ao fim.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Retornando ou, ao menos, tentando...

Depois de mais de três meses de inatividade, tentarei retornar com as publicações do blog.
De início, quero apenas recomendar dois livros que li nessas férias e que me abençoaram profundamente:

*O melhor de A. W. Tozer: coletânea de textos desse homem de Deus. Cada capítulo é impactante e formidavelmente atual. Vale a pena demais!!

*Verdadeira Espiritualidade, Francis Schaeffer: muito profundo. É de uma riqueza argumentativa impressionante. O autor dispensa comentários. Edificante para a mente e o espírito. Fortalece a fé pela razão, por mais paradoxal que seja para muitos. Prova que a vida cristã é integral e deve ser vivida integralmente. Como foi o tema do acampamento da Igreja Presbiteriana do Jardim Botânico neste carnaval de 2008: "O Evangelho todo, para o homem todo e para todos os homens".

Que Deus os abençoe e até breve, se assim a graça do Senhor permitir!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O propósito


terça-feira, 7 de agosto de 2007

Liberdade para amar




"O encontro do homem com um Deus que não se deixa manipular pelas pretensões humanas leva-o ao encontro de sua própria liberdade. A liberdade de encontrar-se com Deus sem querer enquadrá-lo nos seus esquemas teológicos e ideológicos, de deixar que Deus seja apenas Deus e não um subproduto da nossa imaginação. É somente quando deixo o outro livre para ser quem é que me encontro também livre para amá-lo sem as exigências e expectativas retributivas."


Ricardo Barbosa. O Caminho do Coração.








O Rev. Ricardo Barbosa, em "O Caminho do Coração", começa a tratar da questão da espiritualidade e dos afetos a partir da experiência de Jó. Mostra, então, que o homem tem grandes dificuldades para viver uma vida de íntimo e pessoal relacionamento com Deus e com as pessoas porque está fixamente centrado em predisposições que dependem das circustâncias enfrentadas, da realidade em que está inserido.


O exemplo de Jó revela alguém que, sem qualquer razão aparente, passou a sofrer de uma forma profunda, sem encontrar resposta plausível para a situação desesperadora em que se encontrava. Deus, então, começa a demonstrar sua soberania e grandeza diante da limitação humana. Jó compreende que não pode basear seus relacionamentos (especialmente com o próprio Deus) numa lógica retributiva, vastamente verificável em nossos dias, em que se espera algo em troca quando se age. Por ser fiel, íntegro e justo, Jó acreditava merecer apenas o bem de Deus, e seus amigos tentaram convencê-lo de que todo aquele mal havia chegado a ele como consequência de algum pecado que lhe estava oculto. Seguiam, portanto, a mesma teologia retributiva.


Deus quer nos ensinar a nos relacionarmos com ele e com as pessoas de forma livre, independentemente do que Ele e elas possam nos oferecer. Deus deve ser amado por ser quem é, e não por fazer o bem a nós. Da mesma forma, precisamos amar as pessoas por serem criaturas de Deus e amadas por Ele. Devemos nos submeter à soberania de Deus com a alegria de saber que Ele é bom e sua misericórdia dura para sempre, mesmo quando o deserto está mais ermo do que nunca. Ele continua a te amar. Que Deus te abençoe!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Sermão do Monte


"The law sends us to Christ to be justified, and Christ sends us back to the law to be sanctified."

John Stott, in: Sermon on the Mount


O conteúdo do Sermão do Monte, ensina John Stott, não deve ser entendido apenas como um sistema de moralidade cristã, pois é destinado especificamente aos já convertidos, àqueles que nasceram de novo e estão em Cristo. Logo, as palavras de Jesus têm um significado mais profundo, que inclusive levam muitos a apontá-las como um ideal totalmente distante da capacidade humana. A questão é: não é a capacidade humana que nos permite praticar fielmente as ordens de Jesus. É a nova vida que temos nele, centrada no Espírito Santo, que é passível de ser guiada e conduzida em obediência e perseverança. É o exercício da verdadeira fé, sendo esta vivida e experimentada a partir do conhecimento de Deus. É por isso que Cristo, inicialmente, anunciou o Evangelho, para então dizer como se deve viver esse Evangelho. Nas palavras de A. M. Hunter:


"Jesus not only proclaimed that the kingdom of God had come with himself and his work; he also set before his disciples the moral ideal of that kingdom...It is the ideal adumbrated in the Sermon on the Mount."


Que o Senhor nos capacite a vivermos o Cristianismo autêntico e verdadeiro, centrado em Cristo e sua cruz. Sempre por sua graça e seu amor, manifestos na providência de Deus! Amém.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Cruz?


John Stott, no livro " Ouça o Espírito, ouça o mundo"(excelente, recomendo!), alerta-nos para uma verdade incontestável da vida do crente: precisamos centralizar nossa existência na pessoa de Cristo e na mensagem da cruz. Não existe Cristianismo sem Jesus, e também não existe Cristianismo sem cruz! A cruz é elemento essencial da nossa fé. É na cruz, por mais paradoxal que isso seja (afinal, trata-se de um instrumento de morte), que reside nossa esperança de vida eterna. A cruz representa o sacrifício. A cruz é acompanhada de promessas. A primeira delas: ressurreição. Ressureição siginifica, para nós, vida eterna. A ressurreição de Cristo materializou a vitória já conquistada desde antes da fundação do mundo. Vitória de Deus. Vitória de seu povo. Nossa vitória. Amor de Deus = Jesus. Jesus morto e ressurreto = vida eterna dada pelo pastor às suas ovelhas. É necessário e urgente que tenhamos compromisso com a cruz.
Ouçam: é a voz de muitas águas que se aproxima e se intensifica. É no tempo que se chama hoje a chance de fazer conhecida a mensagem da cruz. Deposite-se aos pés da cruz. Ore aos pés da cruz. Celebre a vitória do Cordeiro que nela morreu. Celebre ao Senhor Jesus, Rei dos reis. Ele voltará, aleluia.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

A regeneração humana: em qualquer idade, só por meio de Cristo!


Leiam a notícia. Atentem-se para o pequeno trecho em que se faz referência a uma igreja evangélica que o garoto começou a frequentar!

Só quem muda vidas é Jesus!! Que o mundo descubra essa verdade da salvação!


Pan-Americano 2007

Segunda, 9 de julho de 2007, 08h59 Atualizada às 10h32

"Ex-chefinho" do tráfico prega paz no Pan

Allen Chahad
Direto do Rio de Janeiro
Severino Silva (O Dia)/Allen Chahad (Terra)/Reprodução


Após trabalhar para o tráfico, garoto ajuda a pregar a paz

"Esse garoto era o capeta em forma de gente. Com certeza absoluta seria o próximo chefe do tráfico". A definição é consenso entre os moradores da favela da Rocinha quando falam sobre CDS, 10 anos. Há dois anos, ele ganhou o apelido de "Chefinho" após ser fotografado fingindo com as mãos atirar contra policiais durante confronto com criminosos. Hoje, porém, mudou de vida. Ajudou até a carregar a tocha simbólica para promover a paz nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.
A história de C.D.S. é parecida com a de muitas crianças dos morros cariocas. Perdeu o pai quando ainda era muito novo e foi abandonado pela mãe. Acabou adotado pelo tráfico e trabalhava de "aviãozinho", entregador de drogas e outros materiais dos criminosos. Porém, destemido e revoltado, se destacava em relação aos demais. No auge de sua relação com o mundo do banditismo, apareceu se equilibrando em um carro blindado brincando de atirar, sem qualquer sinal de medo da operação policial na Rocinha que buscava o chefe do tráfico Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi.
"Quantos locais de lazer você viu no morro?", questiona José Ricardo Ramos, o Bocão, após acompanhar a ida da reportagem do Terra à favela da Rocinha. "Essas crianças não têm o que fazer no morro. Precisam gastar energia de alguma maneira. Por isso acabam no crime", completa o professor de surfe e um dos responsáveis pela guinada na vida de "Chefinho". Bocão chegou à Rocinha com apenas 6 meses de vida. Sem nunca ter conhecido seus pais, foi adotado. Como fugiu do mundo do crime? "Sempre fui muito forte. Com apenas 10 anos eu já trabalhava. E me acostumei com isso", explica.
Com uma história de vida muito parecida com a de "Chefinho", Bocão resolveu ajudar o garoto. Enquanto uma família da Rocinha adotou a criança e ofereceu um lar, o surfista apresentou-lhe uma prancha, que serviu de ocupação no lugar do tempo que o menino passava nas ruas. A igreja evangélica também entrou na vida dele. Assim, unindo forças, a comunidade conseguiu fazer com que, segundo eles mesmos, C.D.S. "Chefinho" retornasse à escola e se passasse a ser um aluno dedicado.
Com um semblante muito mais tranqüilo se comparado ao de poucos anos atrás, o garoto recebeu neste domingo a tocha simbolizando o pedido de paz durante o Pan-Americano das mãos do coronel Jorge Braga, responsável pelo 23º Batalhão da Polícia Militar do Leblon. C.D.S. "Chefinho" encerrou o revezamento improvisado que passou pela favela da Rocinha, localizada no morro Dois Irmãos e que separa os bairros de São Conrado e Gávea, na zona sul da capital fluminense.


Redação Terra