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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A necessidade do arrependimento e a Lei Moral




"O cristianismo exorta as pessoas a se arrepender e promete-lhes o perdão. Consequentemente (que me conste), ele não tem nada a dizer às pessoas que não têm a consciência de ter feito algo de que devem se arrepender e que não sentem a urgência de ser perdoadas. É quando nos damos conta da existência de uma Lei Moral e de um Poder por trás dessa Lei, e percebemos que nós violamos a Lei e ficamos em dívida para com esse Poder - é só então, e nunca antes disso, que o cristianismo começa a falar a nossa língua."
C. S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples, pp. 42-43 (Martins Fontes, 2005)

Pessoal, posto hoje esse trecho do Lewis muito mais para me estimular a retomar as atividades do blog com maior frequência do que com algum objetivo específico de discutir o tema suscitado (apesar de ser extremamente instigante). Só deixo uma reflexão, ou melhor, um ensejo a uma reflexão: tenho a impressão de que muitos dos que rejeitam o cristianismo o fazem justamente por não se identificarem com essa necessidade de arrependimento e transformação, caminho a ser necessariamente trilhado por aqueles que desejem seguir a Cristo. O caminho da cruz passa pela confissão, pela mudança, pelo reconhecimento do pecado. Nosso orgulho faz com que neguemos nossos erros e não reconheçamos os pecados que nos afastam da presença redentiva de Jesus, silenciando a voz do Espírito, que exorta o pecador, convencendo do pecado, da justiça e do juízo. O fato incontestável, porém, segundo C. S. Lewis, é que o ser humano tem dentro de si a Lei Moral, gravada em seu coração pelo próprio Deus, o que gera a consciência de certo e errado mesmo no pior dos pecadores. O Evangelho acentua a necessidade de perdão e de transformação que toda pessoa, em alguma medida, já carrega. Ninguém pode sobreviver a si mesmo, a não ser pela graça que restaura e faz nascer de novo. Louvado seja Deus!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Moralidade Social – A Regra Áurea do Cristianismo

C. S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples (Martins Fontes, 2005), faz uma análise do Cristianismo no tocante à sua influência sobre a moralidade social. Em verdade, observa como é e como deve ser o comportamento dos cristãos para com o próximo, ou seja, a interação da Igreja com a sociedade na qual se insere.

O ponto básico, para Lewis, a fim de se determinar o padrão de comportamento social cristão é a chamada Regra Áurea: "Faça aos outros o que gostaria que fizessem para você". Esse enunciado é tirado da moralidade neo-testamentária (em realidade, decorre diretamente do "amar ao próximo como a si mesmo"). Trata-se de uma norma ética que encontra ressonância em todas as sociedades e em todos os tempos, ou seja, não é determinada historicamente, mas compõe a chamada Lei Moral (ainda na linguagem de Lewis), sendo aplicável universalmente.

Desse modo, o mestre irlandês explica que a observância dessa regra depende do verdadeiro conhecimento de Deus, pois é o amor a Ele que permite a obediência aos seus preceitos, dentre os quais se destaca o amor ao próximo. Daí a extrema atualidade das palavras de C. S. Lewis, pois o fato é que o mundo de hoje busca no Cristianismo um instrumento de justificação para seus ideais, seus sonhos (veja-se a teologia da prosperidade, a da libertação e tantas outras correntes doutrinárias, preocupadas com o "aqui e agora" e de olhos fechados para as questões eternas).

Nas palavras do autor: "Muitos não examinam o Cristianismo para descobrir como ele realmente é: sondam-no na esperança de encontrar nele apoio para os pontos de vista de seu partido político. Buscamos um aliado quando nos é oferecido um Mestre – ou um Juiz. (...). A sociedade cristã só virá quando a maioria das pessoas a quiser, e ninguém pode querê-la se não for plenamente cristão. Posso repetir 'faça aos outros o que gostaria que fizessem a você' até cansar, mas não conseguirei viver assim se não amar ao próximo como a mim mesmo; só poderei aprender esse amor quando aprender a amar a Deus; e só aprenderei a amá-lo quando aprender a obedecê-lo" (p. 115).

Que Deus nos ajude a construir uma sociedade cristã, em que pratiquemos a Regra Áurea com alegria e disposição. O primeiro passo, para Lewis, é aprender a obedecer a Deus. A moralidade cristã é simples de se compreender, porém extremamente difícil de ser vivida. Ninguém até hoje, à exceção de Cristo, conseguiu vivê-la plenamente. O desafio ainda é o mesmo: amar ao próximo como a mim mesmo – simples, direto e claro. Só pela graça.